quinta-feira, 19 de julho de 2012


Exposição KISLANSKY CERÂMICAS: A COR DO CORPO

Caixa Cultural Sé - São Paulo
9 jul a 4 set 2011
Curadoria Gilberto Habib Oliveira

Sob o signo do fogo (texto de abertura)

A exposição “A cor do corpo” apresenta, uma vez mais, figuras humanas moldadas em argila na obra de Israel Kislansky. Desta vez, porém, suas peças foram batizadas pelo impávido fogo, por onde se forja a cerâmica e sua cor.

O fogo já não era novidade na obra de Kislansky, mas da posição de coadjuvante da cera e do bronze, no complexo processo de fundição, ele emerge como protagonista, vivo e ardente diante de nossos olhos.

A chama em si é efêmera, mas sua energia transforma a matéria dando-lhe resistência e qualidade perene, aniquilando-a para torná-la eterna, alquimicamente. É essa alquimia que conduz e compõe a exposição. O que há bem pouco tempo se materializava na obra de Kislansky por meio do bronze ascético, frio e silencioso, desperta agora vibrante na cor e no gesto, como corpos que ascendem ao ar em forma de labaredas bruxuleantes.

Entre o erudito e o popular, há séculos, o barro é um elemento presente no cotidiano da humanidade, em artefatos domésticos e artísticos. Nele há, sobretudo, a continuidade das formas, da figura humana e do belo feminino. E aquilo que parecia mudar, no real se revela o mesmo: permanência das formas na renovação da arte.

É assim que a impermanência do fogo preserva o alicerce da experiência do homem, no fazer de seus artefatos, no efêmero de seus artifícios. Pois o fogo simplesmente é. Por ele muita coisa se faz, e por ele quase tudo se desmancha. Pelo fogo se forja tudo, inclusive o nada.

De um corpo sem cor, pálido, dizemos “corpo sem vida”. Esta exposição é uma festa barroca, alegórica, sensorial, espetacular, de formas que envolvem e instigam os sentidos, para acordar o corpo e despertar a alma. 


 
Foto: Duda Covett

Fotos: Duda Covett

Foto: Duda Covett

Foto: Duda Covett

Foto: Duda Covett

Foto: Duda Covett

Foto: Duda Covett










sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Exposição NOVOS MUNDOS NOVOS

Santander Cultural - Recife 
04 ago a 31 out 2010
Curadoria Gilberto Habib Oliveira (Arte) e Prof. José Luiz Mota Menezes (História)

Obras de Francisco Brennand, Cassiano Pereira Nunes, Caio Reisewitz e João Câmara.
Foto Gilberto Habib

A exposição  "Novos Mundos Novos" inaugura o Santander Cultural - Recife (antigo Instituto Banco Real). A mostra é inspirada no navegador espanhol Vicente Yañez Pinzon: o primeiro europeu a aportar em terras brasileiras, em janeiro de 1500.




Repercussão / Imprensa 

Galeria de Fotos - Novos Mundos Novos



Texto catálogo - Novos Mundos Novos

NOVOS MUNDOS NOVOS

para meu irmão eduardo
“Apesar de todas as suas vantagens materiais, a vida sedentária nos deixou irritáveis, insatisfeitos. Mesmo depois de quatrocentas gerações em vilas e cidades, não esquecemos. A estrada aberta ainda nos chama suavemente, quase como uma canção esquecida da infância. Atribuímos um certo romance aos lugares remotos. A minha suspeita é de que o apelo tem sido meticulosamente elaborado pela seleção natural, como um elemento essencial de nossa sobrevivência. Longos verões, invernos amenos, ricas colheitas, caça abundante nada disso dura para sempre. Está além de nossos poderes predizer o futuro. As catástrofes têm um modo de nos atacar sorrateiramente, pegando-nos desprevenidos. Talvez você deva sua vida, a de seu bando ou, até mesmo, a de sua espécie a uns poucos inquietos  levados, por um desejo que mal podem expressar ou compreender, a terras desconhecidas e a novos mundos.”
Carl Sagan. “Os errantes: uma introdução”.
In: Pálido Ponto Azul, 1994

          O pretexto é a passagem do navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón pela costa brasileira em janeiro de 1500, meses antes da chegada oficial de Pedro Álvares Cabral. Sem querer comprovar quem de fato nos descobriu, pois na arte é possível superar conflitos políticos e limitações históricas, a exposição aborda o imaginário relacionado a inquietudes e impermanências associadas ao Ciclo dos Descobrimentos, do qual, brasileiros habitantes do Novo Mundo, a uma só vez resultamos como herdeiros e como herança.

sábado, 13 de março de 2010

Gravuras de Iole Di Natale - "PIED-À-TERRE" imagens da série MINHA CASA

Graphias Casa da Gravura - São Paulo
13 de março a 16 de abril de 2010 
Curadoria Gilberto Habib Oliveira

Minha Casa n.2 , 2009. Água-forte e água-tinta 42 x 30 cm
Imagens de lugares, objetos e pessoas sempre foram, na obra de Iole Di Natale, signos de uma poesia refinada.

Galeria de Fotos
Textos da exposição

Galeria de fotos - Iole Di Natale Exposição "Pied-à-terre"

Iole Di Natale, Mauro Vaz e Gilberto Habib Oliveira

Federico Panizza, Iole Di Natale e Mauro Vaz

Mauro Vaz, Iole Di Natale e Federico Panizza

Montagem da exposição

Finalização da montagem da exposição



Texto de apresentação do Álbum de Gravuras "Pied-à-terre"


PIEDE-À-TERRE
A bela alegoria da morada passageira de Federico e Iole

Figuras de lugares, objetos e pessoas sempre foram, na obra de Iole Di Natale, sinais de uma escritura poética extremamente refinada. Já foi dito que a reiteração de signos em sua arte “é construída como quem encena um teatro. Seus ícones de si mesma são a projeção dramatizada de um ‘eu’ idealizado, cujo enredo versa sobre a liberdade, a plenitude, o amor conjugal e o prazer no humanismo”. Lapidadas de modo sofisticado, cada imagem de si e de Federico forma um repertório de situações e gestos cuja coreografia poética é plena de significados. Desse modo, em Iole, cada figura se tornou também um signo, pois nele já não vemos mais um lugar qualquer, nem objetos comuns ou pessoas desconhecidas…, vemos uma casa “sua”, “seus” pertences, “sua” São Paulo ou “sua” Itália.